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Consultor da Nasa fala sobre viagem colaborativa ao espaço; leia entrevista

Consultor da Nasa fala sobre viagem colaborativa ao espaço; leia entrevista


Para um consultor estratégico da Nasa com anos de experiência no Vale do Silício, como o norte-americano Matthew F. Reyes, os projetos de jovens programadores e empreendedores poderiam parecer “coisa de criança”. Talvez por isso, a palestra desta quinta-feira (15) na Campus Party Brasília tenha atraído tanta atenção. Por quase uma hora, Reyes mostrou as possibilidade do “faça-você-mesmo” na exploração aeroespacial.

“Eu não sabia fazer satélites até começar a fazer e treinar”, disse, no palco. “Se voltarmos ao espaço, seria interessante que nossas estações fossem modulares, de fácil construção.” Em entrevista ao G1, depois da palestra, Reyes detalhou a ideia.

“Uma das coisas que não explorei no palco é que, quando comecei na Nasa, isso não existia. Após uns dois anos, eu consegui trazer uma feira de makers [realizadores] dentro da Nasa. Esse é o nível mais básico, e precisamos entender como isso torna os voos mais baratos”.

As iniciativas tomadas por Reyes na Nasa se assemelham a alguns projetos da Campus Party BSB. Ele conta que, há alguns anos, construiu um “fab lab” – laboratório livre de tecnologia compartilhada – dentro de uma das bases da agência norte-americana, em parceria com o MIT.

“Fui contratado para acompanhar um programa de estágio, e ajudar estudantes a resolver problemas tecnológicos nos projetos. O que eu via eram sempre os mesmos problemas, ano após ano. Então, montamos esse lab com impressoras 3D, serras, corte a laser, para que eles pudessem inovar e resolver as coisas mais rápido”, diz.

Exploração aeroespacial

Durante a palestra, Reyes mostrou alguns dos testes que podem alterar, por completo, a visão que temos da exploração aeroespacial nos próximos anos. Em vez de chapas pesadas de metal e roupas de baixa mobilidade, há desenvolvedores pensando em naves e robôs infláveis, de plástico resistente, e até em naves “pré-moldadas” cortadas na madeira.

“A Nasa não conseguia fazer essas coisas por causa da burocracia, e porque entendia a falha como morte. Eles confundiam a vida dos astronautas com o hardware. Quando você dá um passo para trás, percebe que é diferente, e permite que as coisas deem errado sem surtar”.

Reyes garante que todos os exemplos mostrados ao público da Campus Party Brasília – incluindo celulares e chips de pequeno porte lançados ao espaço – têm viabilidade comercial e econômica. A maior parte surgiu de financiamento coletivo, de pequenas startups americanas ou europeias.

Questionado sobre o dinheiro necessário para impulsionar esse tipo de pesquisa, Reyes afirma que os governos podem ser parceiros, mas rejeita a ideia de esperar financiamento público para colocar uma ideia em prática.

Colaboração criativa

“A Nasa não recebe tanto dinheiro, temos 0,1% do orçamento [dos Estados Unidos]. É tão pequeno, e meu papel é baratear os projetos. Se você cria um projeto, pode dizer ao governo: ‘caramba, se eu tivesse uma base de lançamento, um foguete para testar’, já é uma forma de começar. Há muito concreto, metal, infraeestrutura pesada para o setor privado, que o governo pode absorver”, afirma o consultor.

Além de toda a filosofia “faça-você-mesmo”, Matthew Reyes diz acreditar em uma “colaboração criativa” para superar barreiras e ampliar as iniciativas de exploração espacial. Segundo ele, a grandiosidade do desafio é justamente o motor de propulsão para essa atitude cooperativa.

“Colaborar é um ato de humildade, é você admitir que não consegue fazer tudo. Quando falamos de algo muito difícil, que é ir ao espaço, as pessoas já partem desse ponto de humildade. As estrelas inspiram as pessoas”, conclui Reyes.

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